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CASAIS DE SEGUNDA UNIÃO: DIVORCIADOS E NOVAMENTE CASADOS PDF Imprimir E-mail
Escrito por CNBB REG.SUL I   

 

NOTA PASTORAL DOS BISPOS DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE SÃO PAULO


A Igreja, Mãe e Mestra, procura sempre ser fiel aos ensinamentos de Jesus em seu Evangelho, interpretado autenticamente pelo Magistério: o Papa e os Bispos em comunhão com Ele.


Como mãe, a Igreja acompanha seus filhos, procurando imitar e aplicar a misericórdia de Deus aos casos concretos da vida humana. Fundada por Cristo para conduzir todos à salvação, ela não pode abandonar aqueles que, embora unidos pelo vínculo indissolúvel do sacramento do matrimônio, contraíram uma nova união.


É assim que vem procedendo na problemática da pastoral dos casais de segunda união ou "recasados". Geralmente quem recorreu ao divórcio tem intenção de levar adiante uma nova união.


A palavra iluminadora e segura, a propósito, vamos encontrá-la na Exortação Apostólica "Familiares Consortio" de Sua Santidade o Papa João Paulo II, sobre a missão da família cristã no mundo de hoje. É necessário ater-se a tais disposições.


No capítulo IV, fala-nos da "pastoral familiar nos casos difíceis"; entre eles, os "separados e divorciados em segunda união" (cf. FC, n.84).


Nos últimos tempos, multiplicaram-se os casos de pessoas que se separaram pelos mais variados motivos. Infelizmente, aumenta cada vez mais o número de casais de fé católica e, muitos, com anos de vida matrimonial. O Papa considera muito grave essas situações, afirma que esse problema "deve ser enfrentado com urgência inadiável". (cf. ibid).


Assim, apresenta-nos dados da realidade: - aqueles que sinceramente se esforçaram para salvar o primeiro matrimônio e foram injustamente abandonados; - aqueles que, por grave culpa, destruíram um matrimônio canonicamente válido; - aqueles que contraíram uma segunda união em vista da educação dos filhos; - os que estão subjetivamente certos de que seu matrimônio anterior nunca foi válido... (cf. ibid.)


Face a essas situações, o Papa "exorta vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados". - Como? Procurando exortá-los a que "não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto batizados, participar de sua vida". Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus, acolhendo-os paternalmente na ocasião do batismo dos filhos (cf. ibid). A devoção para com a Eucaristia poderá ser cultivada mediante a "comunhão espiritual" retamente entendida (CDF, Carta aos Bispos da Igreja Católica a respeito da recepção da Comunhão Eucarística por fiéis divorciados, novamente casados, 1994).


Quando houver dúvida sobre a validade do matrimônio, o pároco deve orientar o casal para instaurar, junto ao tribunal eclesiástico, o processo de declaração de nulidade.


A Igreja faça a sua parte, a saber, "reze por eles, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança" (FC, n. 84).


Nós, Bispos, somos chamados a acompanhar de perto essas pessoas. Devemos, enquanto possível, integrá-las nos trabalhos pastorais da Comunidade, que não conflitem com sua vida de casais de segunda união.


A Igreja reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, "de não admitir à Comunhão Eucarística os divorciados e outros em situação de vida irregular que contraíram nova união". E a razão é que "o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente àquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia". - Há um outro motivo pastoral: "se se admitissem essas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio" (FC, n. 84).


Esta atitude da Igreja deve ser apresentada com clareza e serenidade, acompanhada sempre das razões mencionadas, a fim de não provocar ressentimentos.


Os pastores, diante dessas situações irregulares, são proibidos de realizar cerimônias e bênçãos para os casais de segunda união, que podem ser interpretadas como simulação de sacramento ou aceitação deste modo de vida como regular no seio da Comunidade.


Deve-se evitar que tais casais sejam considerados como constituindo um novo "status" na Igreja. A propósito, deve-se observar: não se trata de uma discriminação, mas de coerência e obediência às normas traçadas por Jesus. De fato, Ele o disse, confirmando as indicações dadas no "princípio": "deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão os dois uma só carne". E mais: "o que Deus uniu o homem não separe" (cf. Mt 19, 5-6).


Também: "aquele que toma a mulher que foi abandonada, comete adultério" (Mt 5, 31ss).


Desejamos portanto, exortar nossos párocos e outros presbíteros dedicados à Pastoral da Família a que, com extremo zelo, dediquem-se, com amor, à acolhida a esses irmãos nossos. Organizem, para eles, encontros ou retiros específicos. É necessário porém recordar que, quando um casal se separa, a Pastoral Familiar deve fazer todo o esforço possível para levá-lo à reconciliação. A Pastoral com os casais de segunda união se destina aos casos irreversíveis.


Que eles (os casais de segunda união) não se descuidem da educação dos filhos, aproveitando até mesmo de sua experiência, para assegurar-lhes uma sólida preparação para a vida e, se chamados ao estado matrimonial, procurem vivenciar o verdadeiro amor conjugal e familiar, o qual lhes dará perfeita convivência na unidade de suas vidas a dois.


Que Deus, na sua bondade infinita, nos dê a todos um coração cheio de misericórdia, à luz da qual o Espírito de Deus nos ajudará a ter devido discernimento para sustentar esses nossos irmãos na fé, na esperança, e na caridade, certos de que Deus é Pai, Salvador e Santificador de suas criaturas humanas.


São Paulo, 30 de outubro de 2003.


"Seguem as assinaturas dos Srs. Bispos da Província Eclesiástica de São Paulo".

Publicado em 30/03/2004

 

Fonte: CNBB REG.SUL I