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Celibato dos Sacerdotes
 

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Para tudo sinto forças, Naquele que me conforta ( FI 4,13) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Elbson   

D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID

Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro

A tradução literal do conhecido versículo da carta aos Filipenses mostra-nos a realidade da Palavra de Deus em nossa vida. O conforto faz renovar as forças. Não podemos ser apóstolos cansados. A presença de Jesus em nossas vidas nos dá a certeza desse necessário revigorar-se no ministério e para o ministério.

Estamos vivendo mais uma semana do mês da Bíblia. Um mês inteiramente voltado para o aprofundamento do sentido da Palavra de Deus, proclamada em comunidade e vivida em nossas famílias e em todos os ambientes. Sabemos que a Palavra de Deus nos impele e nos compromete diante de um mundo que está enfraquecido dos valores cristãos e, até, humanos.

Na vida dos santos e santas, a Palavra de Deus exerceu um papel considerável e privilegiado. A vivência da Palavra era o meio de superação de todas as dificuldades, materiais e espirituais. Em momento algum os vemos, simplesmente, pensando sobre a Palavra, mas dialogando com ela. Estando sempre imersos nela, encontraram o conforto do coração e da mente.

A Palavra de Deus, assim vivida, é causa de santidade. Na famosa página do Evangelho de São João conhecida como a Oração Sacerdotal, Jesus clama ao Pai nestes termos: “Santifica-os na verdade; tua palavra é verdade” (Jo 17,17). Neste pequeno versículo encontramos uma razão para ser santo: a Verdade. Sabemos que essa Verdade tem um nome, Jesus, mas é difícil superar a distância da busca para o Encontro. Por isso, o conforto da Presença da Palavra leva os cristãos a envidar todos os esforços para que a aventura da busca se realize plenamente no engolfamento do Encontro. Tudo aquilo que estava em figuras no Antigo Testamento e até mesmo as situações mais entranhas são iluminados e compreendidos plenamente pelo Novo Testamento. Era um caminhar pedagógico, cada vez mais acelerado, em demanda da “plenitude dos tempos”.

Quantas vezes encontramos dificuldades em entender tantas imprecações na oração dos Salmos! Como se tornava pesado e incompreensível aproximar-se de um Deus aparentemente vingativo, severo e que destruía inteiras cidades com fogo devorador, incluindo entre os presumivelmente culpados, mulheres, idosos e crianças. Como era difícil passar de um sentimento feliz a tantas infelicidades que os mesmos Salmos nos sugeriam; ou o contrário: em meio a dificuldades e angústias, diante de problemas insolúveis e grandes decepções, como rir e cantar a alegria e o bem-estar, sugerida pela oração poética? Deus, porém, em sua bondade misericordiosa, foi dilatando o nosso coração para poder compreender todas essas situações, aparentemente insuperáveis. Muito pouco puderam nos ajudar os grandes exegetas para compreender tudo isso: foram os santos, confessores e doutores da fé, os mártires e as mártires que, serena e silenciosamente, nos foram consolando com suas vidas e seus exemplos. Assim, o saltério usado na liturgia, notadamente no comum dos santos e dos Mártires, essas expressões tão estranhamente violentas foram se tornando brilhantes ao nosso entendimento: contemplando a pedagogia divina não nos compete julgar os atos do Senhor. Todos os que viveram punições exemplares receberão os méritos na justa retribuição que Ele concederá como prêmio na vida eterna.

Os Evangelhos são a grande fonte de uma compreensão ainda mais profunda de tudo o que significaram no Antigo Testamento, as profecias e as realidades históricas e os personagens que prepararam a vida do Senhor. O livro dos Salmos, por exemplo, é um dos mais citados no Novo Testamento. A expressão: “ ...para que se cumprisse a Escritura, o que diz...” faz a ligação, em muitas passagens desses textos.

Para bem além da precisão do uso das Escrituras no Novo Testamento, devemos entendê-las como fonte de santificação. É, na medida do possível, uma santificação comunitária. Jesus sempre se dirigiu aos seus discípulos no plural, salvo quando uma advertência particular se fazia necessária. Ele se dirige à comunidade dos discípulos, ao povo que sempre o cercava e aos Doze, os Apóstolos, de forma sempre coletiva. Essa abertura comunitária à Palavra de Deus e a obediência devem impelir-nos a um estudo intenso da mesma. Não podemos ser meros ouvintes, mas praticantes do que nos foi revelado. Por isso mesmo, Maria, nas bodas de cana, dirá aos ministros do milagre: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5), uma clara alusão a Gn 41,55 quando a fome devastava o Egito conforme previra José, disse o Faraó: “Ide a José e fazei tudo o que ele vos disser”.

Ouvir e fazer são os verbos que evidenciam a obediência imediata. Em todos os momentos que estes verbos são utilizados, algo de extraordinário acontece na vida das pessoas. Também isso aprendemos na Escritura Sagrada e essa atitude nos leva à santidade.

Poderíamos, ainda, apresentar muitos outros exemplos. No entanto, cremos que sejam suficientes estas pequenas alusões para saber quão poderosa é a Palavra de Deus em nossa vida, quando acolhida com humildade e total submissão.

O mês da Bíblia, que estamos vivendo, é meio eficaz em evangelização e em catequese. Que o anúncio da Palavra e seu ecoar em nosso coração e em nossa inteligência signifiquem, para cada um de nós, o convencimento de sua necessidade. Seremos ministros da maravilha de Caná, ainda hoje, ouvindo a ordem de Jesus e colocando-nos a seu serviço; testemunharemos o milagre: os continentes (o nome é muito próprio) que ainda vivem momentos de angústia, de vingança e de ódio, são como as talhas de água da purificação. É preciso fazer tudo o que ele nos disser, para que esses mesmos continentes sirvam o vinho generoso da alegria, da satisfação e do bem-estar comum, da superação da fome e da promoção da dignidade humana, vinho novo da alegria em Deus. Justiça e caridade se mesclam.

Desejamos que todos os nossos irmãos e irmãs vivam este mês com estas disposições interiores e que Jesus e Sua Mãe Santíssima possam participar dos banquetes que a caridade fraterna oferece aos irmãos mais necessitados de nossa presença, atenção e atuação benéfica.

A Palavra de Deus é viva e contagiante. Leva-nos, pela força do Espírito, a realizar o que ela nos propõe. “Sede santos como vosso Pai dos céus é santo!”.Faço tudo o que é do Seu agrado!”. “Meu alimento é fazer a vontade do Pai!”. “Sua lei é a minha maior alegria!”. Não se apresenta apenas como exortação. Ao contrário, é imperativo, é a lógica da vida em Cristo.

Fonte: Amai-vos