Fé e Razão

No dia 28 de janeiro a Igreja lembra São Tomás de Aquino, grande teólogo e filósofo. Viveu no século 13, mas seus escritos ainda hoje ajudam a Igreja a refletir a fé, e a perceber a coerência interna das verdades que Deus nos revelou. Fé e razão não se contradizem. Ao contrário, se complementam. Uma das encíclicas mais bonitas, e mais serenas, escritas por João Paulo II, aborda a fecunda relação que existe entre fé e razão, entre ciência e teologia. E’ a encíclica “Fides et Ratio”, “Fé e razão”. Ela passou um tanto desapercebida, mas suas ponderações chegam num momento muito oportuno. Por incrível que pareça, a Igreja, que tempos atrás foi violentamente acusada de obstaculizar os caminhos da razão, agora ela mesma chega em defesa da razão, advogando sua importância para acolher devidamente a própria fé. Pois de fato, nestes tempos de “pós modernidade”, em que se avolumam as manifestações da subjetividade, comandadas pelos sentimentos, é muito importante a função reguladora e equilibradora da razão.

No dizer da recente carta do Papa, a fé e a razão são como duas asas, pelas quais o espírito humano pode voar em direção à verdade. E’ uma bonita expressão, que a Igreja encontrou, para indicar como a fé, aceita pela pessoa, pode ser refletida e assimilada pela inteligência humana, que não se sente violentada pelas afirmações da fé. Ao contrário, a razão se sente à vontade, para perceber a harmonia interna das verdades da fé, e a incidência coerente da fé sobre as verdades que a razão percebe por sua própria capacidade. Assim, quando refletida e assimilada pela razão, a fé se torna mais consistente, porque amparada pela racionalidade com que se reveste, à luz da coerência que a razão vai percebendo. Isto nos faz pensar no valor da reflexão teológica, e na conveniência de difundi-la sempre mais entre todos os cristãos, para terem uma fé adulta e esclarecida.

A teologia é tarefa importante para a consolidação da fé e para o desdobramento de suas conseqüências práticas. Do ponto de vista pastoral, crescem hoje as iniciativas ligadas ao aprofundamento teológico. E’ auspicioso constatar que até o Ministério da Educação passou a reconhecer a validade, e a conveniência, de cursos de teologia, que podem receber a aprovação oficial do MEC. Mas as providências não se limitam a cursos universitários. Multiplicam-se as iniciativas de dioceses, ligadas à promoção da reflexão teológica, seja apostando em encontros de formação, como também incentivando os “grupos de reflexão”, que podem assumir as mais variadas formas, de acordo com as circunstâncias de cada comunidade. O certo é que resulta cada vez mais conveniente respaldar a fé com uma boa dose de racionalidade, inclusive para evitar os fáceis equívocos de hoje, na onda de subjetivismos que emergem com força em nosso tempo. –

 
 
Disponibilizado no SNDHC

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