Resposta ao artigo: “A Profanação da Verdade”

Nota de Mariano Mariano – webeditor de http://www.opuslivre.org em resposta ao texto "A Profanação da Verdade", sobre o livro Opus Dei – os Bastidores

Prezados leitores, Está circulando, em meios mais ou menos restritos, um documento intitulado "A PROFANAÇÃO DA VERDADE". Trata-se de um comentário assinado por Luiz Eugênio Garcez Leme, Professor Associado da Faculdade de Medicina da USP, supernumerário, ao livro OPUS DEI – OS BASTIDORES, certamente com a forte contribuição de escritores ad hoc designados pelo próprio Opus Dei para produzir textos oficiais e pasteurizados. O texto baseia-se na idéia de que a Obra é uma instituição divina e está sendo perseguida por uma campanha de calúnias, tal como Jesus Cristo o foi.

Em concreto, a campanha que os ex-membros do opuslivre estariam fazendo consiste, segundo esse documento, em "apresentar coisas santas como coisas perversas ou absurdas". A principal dessas "coisas santas" seria a entrega total dos leigos no Opus Dei, em particular a entrega das mulheres na instituição. Diz o texto: "Há, hoje, outras formas de dedicação total a Deus de pessoas que não são monjas nem freiras, mas cristãs leigas, e contra as quais se proferem ataques equivalentes: ‘Elas são escravas!’ A calúnia se repete, mas é mais triste, porque parece que esse ignóbil procedimento é agora adotado por alguns que se dizem cristãos, e não por anticristãos hostis à Igreja, como antigamente. Neste sentido, é penoso o livro do professor Jean Lauand e dois de seus colaboradores (‘Opus Dei – Os bastidores’), que tenta lançar essa acusação – também por intermédio de algumas e alguns de seus seguidores – contra a Prelazia do Opus Dei. "O livro, e todas as ulteriores entrevistas dos ajudantes do prof. Jean, falam dessa instituição católica – abençoada por seis Papas (desde Pio XII a Bento XVI, sem faltar um só) e que tem como única finalidade procurar a santificação e o apostolado por meio do trabalho – como se fosse uma fábrica de parafusos ou uma empresa de serviços de manutenção elétrica, dedicadas à exploração dos seus operários.

As moças do Opus Dei que, seguindo livremente e por amor uma vocação divina, se ocupam da administração doméstica dos centros do Opus Dei, não são funcionárias contratadas (ainda que todas as numerárias auxiliares tenham perfeitamente em dia a sua carteira de trabalho). São ‘membros’ do Opus Dei, são fiéis da Prelazia de pleno direito. E, nesses trabalhos do lar, elas vêem que sempre as acompanham na execução dessas tarefas domésticas mulheres com título acadêmico superior, várias inclusive com seu mestrado e doutorado (que ninguém lhes impediu de fazer, antes as incentivou)." O Opus Dei, originariamente, segundo o próprio Fundador, não teria jamais mulheres entre seus membros. Mas acabou admitindo que ingressassem, vendo como seria importante uma retaguarda para manter os centros, cuidar dos afazeres domésticos etc. Hoje, a obra precisa das mulheres para a administração das casas, para a arrumação, a cozinha, a limpeza, um trabalho braçal pesado. Os membros masculinos têm, de fato, um serviço de primeira categoria! E ninguém está desvalorizando esse serviço, feito com magnanimidade e por amor a Deus. O fato, porém, é que essas moças enfrentam mil e uma restrições que nenhuma monja, freira ou cristã no mundo tem! Leiam-se, nesse sentido, os depoimentos de duas ex-numerárias. E.W.: Breve História de uma numerária auxiliar, de 1990 a 1998 / de 1998 a 2005 V.R. http://www.opuslivre.org/?depoimentos.html?Dep_EW1.html e Saúde à minha volta.

http://www.opuslivre.org/?depoimentos.html?Dep_VR4.html Ou seja, essas moças são mantidas num clima de exigência absurda, estão exaustas, mal informadas, e freqüentemente caem em estado de depressão. Quem profana a boa vontade delas é o opus dei. Luiz Eugênio Garcez Leme, "autor" do perfeitamente bem escrito texto que ora analisamos, menciona, de passagem, que na verdade nós, os ex-membros, nos baseamos em autores que ele talvez chame de "profanos", e não nos Papas para falar do opus dei. Acontece que o que os Papas têm declarado sobre o opus dei parte de uma observação viciada, manipulada pela própria prelazia. A obra mostra uma realidade "montada", ocultando o seu dia-a-dia aos Papas e à hierarquia da Igreja em geral.

Seria interessante que o Papa visse de perto o modo como os membros da obra vivem, em particular os numerários e as numerárias, e mais particularmente ainda as numerárias auxiliares. Como lhes falta acesso à informação e lazer cultural (TV trancada, cinema proibido, teatro proibido, leituras censuradas ou proibidas, internet censurada…), como lhes falta liberdade para agir (consultas sobre os detalhes mais ínfimos, gerando uma mentalidade subserviente, total indisponibilidade financeira, o que inibe os maus pensamentos de sair da obra…), como lhes falta apoio afetivo (um sacerdote daqueles bem compreensivos… certa vez, quando uma numerária começou a chorar, teve a coragem de comentar com outra pessoa: "tudo bem, mijará menos…"), como lhes falta apoio dos amigos e da "família de sangue" (as mulheres não podem assistir a casamentos de amigos e familiares, para não ficarem com vontade… não podem segurar crianças, para não ficarem com vontade…) etc., etc. Claro que muito do que acontece com as mulheres do Opus Dei está longe dos olhos dos homens. Os membros da obra mal desconfiam do que acontece há tantos "quilômetros de distância", uma vez que o sistema de segurança da obra garante a incomunicabilidade entre homens e mulheres, coisa que não se verifica na Igreja hoje em dia. Seria bom que os Papas e Bispos acompanhassem de perto essa obsessão da obra contra o menor contato entre homens e mulheres. O texto prossegue, argumentando que outra coisa santa que o livro OPUS DEI – OS BASTIDORES apresentam como perversas ou absurdas é o uso da disciplina e do cilício. Neste ponto, concordamos com o "autor" do comentário.

Apesar de a mídia valorizar isso muito, nós, ex-membros, achamos que é algo bem secundário. Agora, uma coisa é considerar tudo isso plenamente dentro do esquema da santificação, outra, completamente diferente, é que o opus dei espera as pessoas apitarem como numerários para lhes avisar, assim como quem não quer nada, que agora elas vão ter que usar, por força da vocação que receberam, queiram ou não queiram usar esses instrumentos, as disciplinas e o cilício. A obra terá agora que agradecer muito ao opuslivre porque, para não profanar a verdade, nós estamos avisando antes, a todos os que venham a ter contato com a obra, que o uso de disciplinas e cilício pelos numerários é compulsório. A obra, que tanto zela pela verdade, tem "esquecido" de contar essas e outras exigências antes que a pessoa decida livremente a se entregar ao opus dei… com tudo o que tal entrega supõe. Fala sério! Mais adiante, Luiz Leme escreve que outra maneira de profanar a verdade é não respeitar as opiniões da obra e dos membros da obra. Uma dessas opiniões é que: "Na pedagogia moderna, após decênios de experiências de educação mista (meninos e meninas), está crescendo, entre alguns professores e especialistas do mais alto nível da Inglaterra, dos Estados Unidos, da França e da Espanha, a convicção de que a educação diferenciada (colégios só de meninas, colégios só de meninos), no segundo grau, pelo menos na fase "ginasial" (até a 8.ª série), é mais benéfica e eficiente do que a mista, sobretudo para as meninas, cuja melhora de rendimento em várias matérias é comprovada nesse sistema (podem pesquisar na Internet)." Acontece, Sr. Luiz Leme, que a intenção de fundo dos que incentivam os Colégios Catamarãs da vida é, com essa proposta moderna de separar meninos e meninas, atingir uma outra finalidade. Trata-se de ir habituando as crianças e jovens com essa separação, mantida entre a seção masculina e a seção feminina e dentro dos centros de numerários.

De resto, seria interessante voltarmos a analisar a mentalidade pedagógica da obra, lendo o texto A Pedagogia do Opus Dei – Colégio Catamarã . http://www.opuslivre.org/?debates.html?pedagogia_opus_dei.html O texto prossegue, falando de como a obra cuida para que os meios de comunicação não prejudiquem a fé e os bons costumes dos membros da obra. Muito bem, só lamentamos que com essa atitude levada a extremos (fechar a TV à chave, rasgar jornais, impedir leituras, proibir, proibir, proibir…) a obra acaba gerando pessoas com mentalidade amedrontada, sem capacidade de discutir com aqueles que estão no meio do mundo. Nem as monjas e as freiras estão tão fora da realidade!! A seguir, o texto defende o proselitismo praticado na obra. Muito bem, todo mundo é livre para fazer o que quiser, mas a partir de agora, porque não profanamos a verdade, a obra vai ter mais cuidado antes de ocultar que os seus clubes, colégios, centros culturais etc. são, na realidade, atividade de fachada que "nada tem a ver com o opus dei"… e na realidade são a porta de entrada para o opus dei! Fala sério, Dr. Luiz Leme, quem é que é useiro e vezeiro em profanar a verdade!? Já que a abertura e o amor à verdade é tão grande dentro da prelazia, por que não colocar na entrada dos centros culturais que ali é um centro do opus dei (pois ali moram os numerários!), que ali o opus dei ensina os jovens a mentirem para os seus pais e não contarem coisas que acontecem lá dentro… que ali o objetivo é o de atrair vocações e não, simplesmente, promover obras sociais… culturais… universitárias…? Se a obra fosse mais veraz, mais sincera, se admitisse os seus erros (e erros há, por que não admiti-los??), não provocaria um ambiente rarefeito, em que depressões e problemas psicológicos ocorrem, não porque hoje é comum que ocorram, mas porque qualquer pessoa pode ficar deprimida numa instituição cujas práticas levam à subserviência, aos contorcionismos mentais para deturpar as verdades, às restrições mentais, a tudo aquilo que tem sido denunciado como práticas desumanas por este site (opuslivre.org.br).

Por fim, vale a pena dizer que não se trata de uma campanha contra o opus dei o que estamos fazendo. O que o livro OPUS DEI – OS BASTIDORES se propõe a realizar é um esclarecimento público, com base em testemunhos reais e em argumentações. O que queremos, de fato, é dialogar com a Igreja, e pedir-lhe que olhe com um pouco mais de atenção para tudo aquilo que a obra faz. A obra deturpa as verdades e oculta os fatos que este site tem revelado. A obra despreza os testemunhos de pessoas que acreditaram na obra um dia e que dela saíram por motivos graves. A obra os trata hoje, como sempre os tratou, como meros traidores. A obra não tem a menor capacidade de se corrigir, a menos que a Igreja intervenha!

Mariano

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