Opus Dei – 12 considerações

Eu tenho a dupla alegria de ter um filho e uma filha no Opus Dei

            Sou pai de um Numerário e de uma Numerária, ele com 27 anos e ela com 29 anos. Ambos são formados pela USP. Um deles segue a carreira acadêmica, com o mestrado concluído e com o doutorado a ser iniciado proximamente. Tenho outros três filhos: uma de 25 anos formada pela PUC, outra de 23 anos formada pela USP e o quinto de 20 anos, estudando na USP. Ainda que todos tenham recebido a mesma formação, dois deles se encontram afastados da prática religiosa. Mesmo lamentando isso, quero-os de todo o coração, rezo todos os dias por eles, mas respeito profundamente a sua liberdade.

            Diante de tantas inverdades que estão se propagando sobre a Obra, sinto o dever de tranqüilizar a outros pais, que, como eu, têm filhos e filhas no Opus Dei. Escrevo sobretudo àqueles pais que, por diversos motivos, não conhecem com profundidade a vocação de seus filhos e sofrem nestes momentos, confusos e desorientados, ante tantas calúnias e mentiras. A esses pais faço respeitosamente 12 considerações.

Primeira Consideração: Não se deixem levar pelas falsas denúncias.

            Parece-me que, objetivamente, os que acusam o Opus Dei não atuam com espírito cristão. Falta-lhes caridade em suas avaliações e sobra-lhes ódio e ressentimento em seus posicionamentos. É com tristeza que vemos que muitos estão se apoiando nessas pretensas denúncias para falar mal e denegrir a própria Igreja Católica. Com os holofotes de um sensacionalismo quase policial, não conseguem fazer uma única crítica construtiva e serena. A agressividade é por demais evidente e dela jamais poderá nascer um raio de verdade. É quase uma constatação evangélica: pelo fruto reconhecereis a árvore.

            Outra coisa que parece desqualificar a idoneidade desses ataques é o estranho fato de que um de seus principais autores, professor universitário da USP, homem culto e erudito, tenha tardado 30 anos para descobrir as farsas do Opus Dei. Como se explica que pessoa tão esclarecida tenha demorado tanto para deixar aquilo que ele chama de seita? Também é estranho que os demais detratores tenham esperado muitos anos após a sua saída da Obra para fazer as suas denúncias. Por que estiveram se omitindo ao longo de tanto tempo em assunto de tanta gravidade?

Segunda Consideração: É preciso saber o que é realmente o Opus Dei.

            Para isso, sugiro que os pais procurem informações corretas sobre o Opus Dei, por exemplo, no site do Vaticano (www.vatican.va) ou do Opus Dei (www.opusdei.org) e, se preciso, o conselho de pessoas sensatas e de confiança. No entanto, não basta que sejam de confiança, precisam conhecer efetivamente a Obra para poder opinar corretamente. Sugiro também a “prova São Tomé” (ver para crer): conhecer pessoalmente a Obra, através de alguma atividade concreta. E, a partir daí, tirar as suas próprias conclusões.

            Adianto-lhes que o Opus Dei não é a idéia de um sacerdote santo, como foi o seu Fundador. Ele mesmo recordou muitas vezes que a Obra é um empreendimento divino – suscitado por Deus em 2-X-1928 – destinado a recordar que todos os cristãos correntes estão chamados a santificar-se no meio do mundo através de seu trabalho profissional e de seus deveres cotidianos. O Opus Dei não procura fins humanos, mas fins exclusivamente espirituais: contribuir, na Igreja, para a santificação e salvação de todos, recristianizando o mundo a partir das entranhas da sociedade, como os primeiros cristãos: no trabalho, no lazer, na escola, no lar, no escritório, no esporte, no comércio, no parlamento, etc. Muitos cristãos encontraram nessa mensagem simples um grande ideal de vida, que por sinal foi recolhido como um dos grandes ensinamentos do Concílio Vaticano II. A maior prova da origem divina desta instituição católica é que ela em tão poucos anos está presente nos cinco continentes em mais de 60 países e conta com mais de 84.000 membros, dos quais 3800 são sacerdotes e 40 bispos. Como será possível que tanta gente boa, séria e responsável esteja enganada?

 

Terceira Consideração: O Opus Dei está aprovado solenemente pela Igreja.

            O Opus Dei sempre contou, desde os seus inícios, com a aprovação da Igreja Católica. Os seus estatutos são públicos e neles estão descritos detalhadamente o modo de vida de seus membros, os fins e o regime da instituição. Portanto não existem segredos nem bastidores no Opus Dei. Existe, isso sim, o carinho e a admiração de todos os seis Papas que o acompanharam de perto desde a sua fundação: do Papa Pio XII ao Papa Bento XVI. Foi precisamente o saudoso Papa João Paulo II que beatificou e canonizou o Fundador, respectivamente em 1992 e 2002, a cuja cerimônia tive a alegria de assistir com a minha esposa e filhos em Roma. Em sua canonização, na Praça de São Pedro, havia mais de 400 mil pessoas, inclusive muitíssimas autoridades civis e eclesiásticas. Nesse dia, 6 de outubro de 2002, falando também para milhões de telespectadores (a cerimônia de canonização estava sendo transmitida por 29 emissoras de televisão), o Papa João Paulo dizia com vibração: Que o Senhor vos ajude, queridíssimos irmãos e irmãs, a acolher esta exigente herança ascética e evangelizadora! Certamente, não faltarão incompreensões e dificuldades para quem tentar servir com fidelidade a causa do Evangelho. O Senhor purifica e modela com a força misteriosa da Cruz a todos os que chama para segui-Lo; mas na Cruz – repetia o novo santo (se referia a São Josemaria) – encontramos luz, paz e gozo.
Quarta Consideração: Falam que o Opus Dei é muito exigente …

            O Opus Dei não tem doutrina própria: procura abraçar com fidelidade os ensinamentos milenares da Igreja, que foram dados pelo próprio Cristo. Daí que o Fundador tenha repetido inumeráveis vezes que a mensagem do Opus Dei é velha como o Evangelho e, paradoxalmente, como o Evangelho é sempre nova. Tudo o que se verá no Opus Dei tem profunda inspiração evangélica. O Opus Dei é exigente? A resposta é afirmativa se considerarmos que Cristo era amavelmente exigente com aqueles que queriam segui-lo: homens e mulheres, jovens e velhos. Com total respeito à liberdade, dizia: Quem quiser ser meu discípulo, pegue a sua cruz e me siga. Na verdade, não é que o Opus Dei seja exigente, é que o Cristianismo sempre foi amavelmente exigente, com exigências positivas e altamente realizadoras: a exigência de trabalhar bem, com competência, de praticar o amor ao próximo, de lutar contra os próprios defeitos, de procurar crescer nas virtudes, de não estar apegados aos bens da terra, de amar a justiça e a verdade, de viver a castidade, de ser fiel, etc. São exigências que atendem àquele amável apelo de Cristo: Sede perfeitos como o meu Pai é perfeito. É o “radicalismo evangélico” de que tanto falava o Papa João Paulo II.

Quinta Consideração: Existe fanatismo no Opus Dei?
            O próprio Fundador pedia a seus filhos que não fossem fanáticos de nada e muito menos do Opus Dei. O fanático é a pessoa de visão curta e estreita, inflexível em suas opiniões e duro e agressivo para com os que não pensam como ele. Quem quer viver o Cristianismo com autenticidade terá que estar muito longe de todo tipo de fanatismo, porque terá de ter o coração magnânimo, capaz de compreender e perdoar. Como dizia S. Josemaría: Temos que conduzir-nos de tal maneira que, ao ver-nos, os outros possam dizer: este é cristão porque não odeia, porque sabe compreender, porque não é fanático, porque está acima dos instintos, porque é sacrificado, porque manifesta sentimentos de paz, porque ama.

            Por isso, os membros da Obra terão que saber defender as suas convicções religiosas com delicadeza e respeito à legítima liberdade dos demais. Precisamente uma das notas características mais notáveis do Opus Dei é o amor incondicional à liberdade de todas as pessoas, também daquelas que não compartilham da mesma fé. Mas, havendo tantos milhares de pessoas no Opus Dei, pode haver algum que, por assimilar mais lentamente a doutrina cristã, tenha alguma atitude menos de acordo com esse espírito, mas certamente será alertado e ajudado a superar esse modo de ser.

           

 

Sexta Consideração: Fazem “a cabeça” no Opus Dei?

            Se entendermos por “fazer a cabeça” o bom conselho que um pai dá ao seu filho, a orientação acertada que dá um professor decente aos seus alunos, a exortação cristã de um padre piedoso aos seus fiéis, então, neste sentido, eu concordo que o Opus Dei “faz a cabeça” de todos aqueles – jovens, adultos e anciãos – que querem participar de seus meios de formação. Digo querem porque há um grande respeito à liberdade de cada um: participam os que querem e porque querem. Também nesse sentido, teremos que admitir que Cristo “fazia a cabeça” de todos os que ouviam os seus ensinamentos, que sempre eram dirigidos para fazer o bem e amar o próximo.

            No entanto, se entendemos por “fazer a cabeça” a despersonalização das pessoas, o desrespeito à sua liberdade, a inversão de valores, eu diria que absolutamente isso não existe no Opus Dei. Ao contrário, o que vejo no Opus Dei é um saudável amor à liberdade e à responsabilidade pessoais. Assim posso atestar, não só por minha experiência pessoal, mas pelo o que vejo em minha esposa, em meus filhos e em tantas outras pessoas da Obra. Se alguém do Opus Dei desrespeita a liberdade de qualquer pessoa é porque ainda não assimilou bem o seu espírito.

Sétima Consideração: Quem são os Numerários?

            São aqueles membros que, tendo recebido uma chamada de Deus para o Opus Dei – uma vocação portanto de origem divina –, dedicam-se a Deus no meio das realidades humanas vivendo o celibato apostólico, isto é, não se casam, para poderem dedicar-se a Deus e ao serviço do próximo de pleno coração e com plena disponibilidade. No entanto, a grande maioria dos membros da Obra é casada. Refiro-me aos membros Supernumerários, como eu e a minha esposa. Ainda que a vocação dos Numerários e dos Supernumerários seja essencialmente a mesma (a busca da santidade no meio do mundo), as circunstâncias são diferentes. Os Numerários e as Numerárias, por receberem uma chamada como a dos Doze apóstolos e permanecerem solteiros, estão mais disponíveis para atender as necessidades de formação da Obra, assim como a sua expansão por outras cidades e países. Dos Numerários saem os sacerdotes do Opus Dei.

Oitava Consideração: O Opus Dei “alicia” jovens e crianças?      

            Esta é uma afirmação que quase sempre procede de pessoas que desconhecem o Opus Dei (e que acabam temendo por aquilo que ouviram falar) ou de pessoas que atuam objetivamente com má intenção, pois querem semear suspeitas naqueles que não conhecem ou conhecem superficialmente a Obra. É muito sabido, volto a repetir, que uma das características mais significativas do Opus Dei é o amor e o respeito à liberdade pessoal de cada um.

            Das muitíssimas pessoas que freqüentam a Obra, entre jovens, adultos e anciãos, apenas uma ínfima parcela pertence ao Opus Dei, ainda que todos sejam muito queridos. É natural que seja assim. Não interessa que todos sejam do Opus Dei, mas unicamente aqueles que têm vocação. A vocação é dada por Deus e não pelos homens; por isso, não se “forçam” as vocações, não se “recrutam” pessoas. Os que entram para a Obra entram porque estão certos de um chamado divino, porque ponderaram longamente em seus corações, porque querem e demonstram querê-lo. É bom lembrar que só é possível incorporar-se à Obra tendo pelo menos 18 anos. No caso de uma pessoa pedir a admissão no Opus Dei e depois se verificar que não tem vocação (por ex.: porque lhe faltam as condições requeridas ou por falta de identificação com o seu espírito), os diretores serão os primeiros a sugerir que deixe a Obra. Evidentemente continuarão freqüentando, se quiserem, os meios de formação, como tantos e tantos amigos, como efetivamente acontece.

            O fato de o Opus Dei procurar vocações e pedir orações por elas, parece-me muitíssimo razoável e sinal de idoneidade. O próprio Jesus dizia: Rogai ao Senhor da messe que envie operários à sua messe. Assim procederam todas as ordens religiosas e os seminários, que as procuravam em nome de Cristo, porque, caso contrário, a Igreja Católica teria terminado já no primeiro século. Mas é preciso ter sempre um grande respeito à liberdade de cada um, pois, como dizia São Josemaria: cada caminhante siga o seu caminho! Para cada um, Deus tem o seu desígnio existencial, que deve ser amado e respeitado por todos.

            Nunca ninguém poderá ser pressionado a nada no Opus Dei. Seria contraditório: quem quer procurar a santidade, a plenitude cristã no meio do mundo, deve corresponder livremente, pela própria vontade, apoiando-se evidentemente na graça de Deus. Do mesmo modo, a única coisa que retém uma pessoa no Opus Dei é o fato de ela querer.

            E os adolescentes, o que aprendem nos clubes juvenis onde também se oferece a formação do Opus Dei? A serem bons cristãos, a amarem os seus pais, a serem bons estudantes, a exercerem responsavelmente a sua liberdade, a serem bons amigos e preocupados com o próximo. Além disso, todos os pais estão perfeitamente a par da formação recebida e colaboram com alegria no bom funcionamento dos clubes. Há muitíssimos garotos e garotas que já freqüentaram os clubes juvenis e que são hoje respeitáveis pais de família, e muitos deles são os principais promotores desses mesmos clubes. Enfim, há uma diferença muito grande entre “aliciar” e transmitir (aos que queiram livremente receber!) a riqueza dos ensinamentos cristãos, que visam levar os homens e as mulheres à sua mais plena realização humana e espiritual. Basta que os pais compareçam às reuniões de pais e às festas para os familiares dos sócios do clube para verem que é assim.

Nona Consideração: Por que essas críticas à Obra procedem de ex-membros? Os Numerários não são felizes?

            Os Numerários têm tudo para ser muito felizes, e eu me atreveria a dizer, tanto ou mais que nós, Supernumerários. Quando Deus chama alguém para segui-lo com o dom do celibato apostólico, faz-lhes uma proposta que está iluminada pelo celibato do próprio Jesus Cristo, que sai ao encontro de todos para repartir o seu amor. Essa vocação preencherá todas as ânsias de felicidade e realização que existe no coração humano. Vive-se o celibato com espírito generoso e aberto às necessidades de todas as almas. Daí que os Numerários possuem uma vida muito fecunda e rica, com uma verdadeira paternidade (maternidade): serão luz para muitas pessoas que, graças ao seu apostolado, encontrarão a Deus e darão sentido às suas vidas. Estão, como todos os membros da Obra, rodeados de muitíssimos amigos e à frente de muitas iniciativas de promoção humana, contribuindo eficazmente para a nova evangelização do mundo pedida pelo Papa Bento XVI.

            No entanto, atrevo-me a dizer que não é a vocação que faz feliz um Numerário ou uma Numerária, ou mesmo a nós, Supernumerários. É a sua correspondência a ela! Explico-me com um exemplo: de pouco adiantaria um homem estar casado com a melhor mulher do mundo se não correspondesse às exigências desse compromisso de amor: dedicação, abnegação, carinho, atenção, fidelidade, etc. Se faltasse essa contribuição pessoal, em pouco tempo estariam se separando, e, às vezes, brigando com amargura. Não é um problema da vocação em si, mas de sua correspondência pessoal. Não tenho dúvida de que os que agora atacam a Obra, um dia a amaram sinceramente, mas deixaram o amor envelhecer e morrer. Para eles pedimos todas as graças e luzes de Deus.

Décima Consideração: Os Numerários fazem penitência?

            É evidente que sim, pois todo cristão coerente sabe que deve ser discretamente penitente. Por quê? Porque com a penitência nos unimos intimamente a Cristo, isto é, nos unimos ao seu sofrimento redentor, e conseguimos muitas graças para beneficiar tantas pessoas queridas: nossos pais, amigos, etc. Assim, o espírito do Opus Dei leva os seus membros a praticar um generoso e sorridente espírito de penitência, que está baseado principalmente em coisas pequenas e corriqueiras: saber oferecer a Deus uma dor de cabeça, um dia de muito calor, as incomodidades do trânsito, comer uma verdura de que não gostamos, chegar pontualmente no trabalho, atrasar um copo dágua, combater a preguiça, etc. Todas essas penitências podem ser oferecidas a Deus pela salvação das almas, pela Igreja, pelo Papa, e por tantas intenções. Os Numerários e Numerárias praticam voluntariamente algumas penitências corporais, como as que foram noticiadas escandalosamente em algumas reportagens. Refiro-me ao cilício e às disciplinas, e ao fato de algumas Numerárias dormirem em uma tábua acolchoada e com travesseiro, que certamente não impede noites bem dormidas e repousantes. Não me detenho nesse tema, já que essas penitências foram muito bem explicadas pelo Dr. Luiz Leme em seu recente comentário. Acrescento apenas que elas são praticadas com bom senso e que não fazem absolutamente mal à saúde, pois isso seria tentar gravemente a Deus, o que evidentemente seria contra o espírito do Opus Dei. Essas penitências “mais fortes”, que não são o ordinário na vida de um membro da Obra, como nos referimos acima, foram praticadas por muitos santos que veneramos nos altares e que, longe de deformar ou destruir a sua personalidade, a enriqueceram e permitiram que se convertessem em verdadeiros “campeões de amor ao próximo”.

            Muitos dos que se escandalizaram com o “espírito de penitência” dos membros do Opus Dei não percebem que no mundo são cada vez mais numerosas as pessoas que, movidas pela vaidade ou pela superficialidade, são capazes de se submeter a qualquer tipo de sacrifício, bem piores do que as referidas penitências: jejuns alimentares de causar inveja a qualquer faquir, penosas operações plásticas para melhorar o visual, perfuração de partes do corpo (nariz, pálpebras, orelhas, língua, etc.) para introduzir piercings e outros instrumentos metálicos; mutilação irreversível da pele para ostentar tatuagens. E isso, sem falar das academias, onde algumas pessoas se exigem até a exaustão para modelar os músculos e exibi-los nas praias ou festinhas. O curioso é que se alguém ousar dizer que faz penitência por amor a Deus (por exemplo: comer um pouco menos em alguma refeição) corre o risco de ser chamado de fanático e medieval. Assim são alguns juízos humanos, que não sabem captar com profundidade as realidades do espírito cristão.

 Décima primeira Consideração: O Opus Dei separa os filhos de seus pais?

            Esta talvez seja uma das acusações mais injustas, pois os Numerários e Numerárias amam os seus pais com todo o carinho e ternura. Sou protagonista do que afirmo, pois tenho um filho e uma filha Numerários. O próprio Fundador do Opus Dei incutia em todos os seus filhos um grande amor aos seus pais e até chamava o 4º Mandamento (Honrar os pais) de Dulcíssimo Preceito. São inúmeras as fotografias do Fundador com os pais de seus filhos Numerários, e por eles rezava especialmente todos os dias em sua Missa.

            Alguns pais, no entanto, não entendem porque os seus filhos Numerários deixam as suas casas para morar em um Centro do Opus Dei. Interpretam isso como uma violência e não entendem que se trata de uma legítima e maravilhosa opção de vida de seus filhos. É o mesmo que ocorre quando um filho casa: ele deixa a casa paterna para constituir um novo lar, mas isso não significa que o filho seja ingrato, ou que os tenha abandonado. Se essa “lei de vida” ocorre com todos, como posso estranhar que ocorra também com os Numerários? Mudam, não por capricho, mas para estar mais disponíveis a tantas responsabilidades a que devem fazer frente, pois eles também constituíram, como eu e minha esposa, uma família.

            Os filhos Numerários possuem um especial carinho pelos seus pais. Além de rezar muito por eles e estar preocupados com tudo o que diz respeito à família, estão sempre muito unidos de coração a todos os seus familiares, mesmo que estejam distantes, morando em outra cidade. A sua presença na família é sempre marcada pela alegria e bom humor. Estão sempre presentes nos momentos difíceis da família. Quando um dos meus filhos Numerários não pode comparecer a algum evento familiar, sinto a sua falta, mas procuro compreender e sei que está sempre muito unido a nós. Mas isso acontece com todas as famílias. Quantas vezes, um filho ou uma filha, por razões profissionais ou familiares, ou por morar em outra cidade, não pode comparecer, como gostaria, a esses eventos?

            Aproveito para copiar aqui o que diz o Catecismo da Igreja Católica a respeito da vocação dos filhos:

            § 2232Embora os vínculos familiares sejam importantes, não são absolutos. Da mesma forma que a criança cresce para a sua maturidade e autonomia humanas e espirituais, assim também sua vocação singular, que vem de Deus, se consolida com mais clareza e força. Os pais respeitarão este chamado e favorecerão a resposta dos filhos em segui-lo. É preciso convencer-se de que a primeira vocação do cristão é a de seguir Jesus (cf. Mt. 16,25). “Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim. E aquele que ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim (Mt 10,37).
            §2233 – Tornar-se discípulo de Jesus é aceitar o convite de pertencer à família de Deus, de viver conforme a sua maneira de viver: “Aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12,50).
            Os pais aceitarão e respeitarão com alegria e ação de graças o chamamento do Senhor a um de seus filhos de segui-lo na virgindade pelo Reino, na vida consagrada ou no ministério sacerdotal.
Décima segunda Consideração: Saber ouvir os filhos

            A última consideração é muito simples: ouvir sem preconceitos o que nossos filhos Numerários têm a dizer sobre a sua vocação. Isto é, procurar ouvi-los com isenção e interesse, abrindo-se às suas razões ainda que não as compreendamos inicialmente. Estas questões devem ser tratadas em um ambiente de paz, que sempre favorece o bom entendimento.

            É verdade que a vocação de Numerário, que exige o celibato apostólico, surpreende inicialmente a maioria dos pais (o próprio Jesus diz no Evangelho que é difícil compreender o celibato), pois, como é lógico, sonhamos com o casamento dos filhos para que sejam felizes constituindo uma boa família. Trata-se, sem dúvida, de uma pretensão muito nobre e santa. No entanto, esta não é a única opção prevista por Deus, ainda que o será na grande maioria dos casos. Deus pede a alguns uma dedicação mais plena aos seus interesses divinos, e enche a suas vidas de eficácia e alegria. Vejo pelos meus dois filhos o quanto são felizes e realizados. Que mais posso desejar?

            Tenho contato com muitos pais que têm filhos na Obra e sei que sempre chega o momento, cedo ou tarde, em que os pais não só agradecem a Deus a vocação de seus filhos, mas consideram uma grande honra Deus os ter escolhido com amor de predileção para fazer a sua Obra.

 

 

            São Paulo, 5 de dezembro de 2005

 

 

            Luiz Antonio da Silva

            Engenheiro e professor universitário

 

            Colaboração de Marisa Stucchi da Silva (minha esposa)

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