Carnaval e lazer sadio

Estamos na semana de carnaval; a TV se encarrega de projetar os desfiles dentro de todos os lares, por horas à fio. Para muitos, desfilar fantasiado diante da multidão que aplaude e ser projetado no mundo inteiro pela TV, constitui o momento alto da vida, que compensa os sofrimentos do ano inteiro, passado na favela ou no cortiço. Sem hesitação investem boa parte do fruto dos próprios suores na fantasia nova a ser usada no desfile.
Muitos gostam de assistir ao vivo, e ficam lá dia e noite para ver tudo. A maioria prefere assistir pela TV. Outros preferem dançar nos teatros, salões, discotecas, e ficam lá dias inteiros!
Afirmam que querem esbanjar alegria; mas, muitas vezes, perdem o controle de si, exagerando na bebida, tomam drogas, buscam novas “experiências sexuais”, até acabam com brigas, complicando a própria vida.
São mais sábios aqueles que aproveitam o feriado prolongado para ir ao interior, visitando os parentes; descem ao mar, respirando ar renovador. Melhores ainda aqueles que aproveitam para um retiro, que revigora as energias espirituais.
Vivendo na cidade caótica e poluída, sentimos a necessidade de sair, refrescar a mente e renovar as energias. Saber descansar no tempo e modo oportuno e na medida certa é sabedoria. A vida moderna oferece muitos tipos de lazeres.
O bom uso do tempo livre constitui um metro da sabedoria prática de uma pessoa; até mais do que o desempenho dos deveres de todos os dias. Neste ficamos obrigados a trabalhar, ou estudar, ou cumprir os serviços de casa, que se impõe a nós. No lazer somos livres de escolher; e as escolhas que fazemos revelam os objetivos e valores dos quais mais gostamos.
Quem aproveita do tempo livre para correr no bar e embriagar-se é beberrão; quem se dá ao esporte é um esportista; quem fica fazendo nada é preguiçoso; quem vai à igreja, ou reza em casa e lê a Bíblia, é religioso; quem se dedica a obras de caridade é de coração generoso.
Esta escolha influi em todos os deveres profissionais, e na vida de família. Cada um pensa e fala daquilo que gosta e realiza nas horas livres. Volta à vida familiar e ao estudo e trabalho de todos os dias mais satisfeito e relaxado se o seu lazer é bom; ou volta mal humorado e desmotivado se o lazer é desordeiro. E sua conduta se repercute nos familiares e nas pessoas com as quais convivem. Já os antigos diziam: ”Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem es.”
A vida moderna oferece uma quantidade enorme de lazeres. Se não forem bons e escolhidos com sabedoria, viram necessidades que escravizam. É o caso dos drogados, libertinos, viciados na internet, no jogo ou álcool, ou fanáticos das novelas e futilidades da TV.
 Qual é o lazer melhor? É aquele no qual “o dever se torna prazer”: o dos pais que gostam de brincar e passear juntos com os filhos; do mestre, da enfermeira, do padre, do autônomo, até do empregado que gostam do seu serviço, capricham nele, voltam para casa alegres por ter cumprido um bom trabalho; dos que se dedicam a serviços filantrópicos ou religiosos, semeando  o bem. São as pessoas mais felizes, de uma felicidade autêntica! Os antigos afirmavam: ”Alcança todos os pontos quem une o útil ao delicioso”.
Entende-se como é importante ajudar os jovens a escolher a profissão e o tipo de vida que corresponda a ideais sadios. Os pais deveriam estar mais atentos às inclinações dos filhos, encaminha-los a grupos educativos, como escoteiros, movimentos de jovens nas comunidades eclesiais, grupos filantrópicos, culturais. São estes grupos que afastam os jovens dos vícios e os preparam a se tornarem adultos cheios de idealismo e comprometidos na melhora da família e da sociedade.

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