DIALOGANDO COM O SILÊNCIO, NOS FAZENDO JOSÉ

Quando fazemos silêncio, o silêncio humano, abrimos espaço para que nossa alma dialogue com o Divino. Uma conversa dita silenciosa, porque não faz uso do nosso aparelho fonador, mas que possui outros sons, sons próprios da alma.

Vocês devem estar se perguntando que sons são estes, mas como explicar com palavras, aquilo que não é dito com elas? É preciso viver, experimentar esse encontro, para compreender o que conceituo aqui.
Reflitam comigo, eu posso até entender, como deve se sentir alguém, que faz viagens espaciais. Mas eu não posso "compreender", no sentido amplo da palavra, a não ser que eu passe pela mesma experiência, por que passa um astronauta em missão. Eu posso entender como deve se sentir uma criança desnutrida, com fome e sede, mas eu não sou capaz de compreender, a não ser que eu tenha sido uma delas.
A Quaresma nos coloca em posição reflexiva, nos tornamos mais introspectivos, mais predispostos a vivenciar o silêncio humano. Ao mergulharmos no mistério do Caminho que conduz ao Cristo Ressuscitado, fazemos como que o caminho inverso ao de nosso nascimento, nos transformamos emocionalmente em primeva centelha de vida, para só então, renascermos através Dele. É nesse reencontro com a Luz, que está a verdadeira razão da trajetória humana. Ponto essencial, do qual não devemos nunca perder a perspectiva. É pelas mãos do Pai, pelo Pai e para o Pai, que também fomos feitos humanos. Tal como Cristo experenciou, temos o nosso tempo na Terra, até que sejamos chamados à retornar, diferentemente Dele, enquanto Homens, ao pó, enquanto filhos de Deus, à Luz.
Jesus nos concedeu um grande privilégio, compartilhou Sua Mãe conosco, para que possamos fazer essa Caminhada. Esse é um privilégio que foi dado à humanidade a pouco mais de 2.000 anos. Não devemos desperdiçar esta chance, que os antigos não tiveram. Podemos aprender com o Sagrado Sim de Maria, dialogando com Ela a cada momento, Ela que silenciosa, " …guardava tudo em seu coração…" Podemos ainda, compreender como José, meditando sobre o seu Sagrado Silêncio. José era silencioso, receptivo, contemplativo. Seu nome significa " aquele que acrescenta", no sentido de aumentar. E José realmente aumentou, com seus silêncios, o espaço para a Divindade de Jesus com ele dialogar.
Creio, com alma meditativa, que José foi poupado de presenciar seu "Menino Jesus Crucificado", pois sendo por ofício carpinteiro, por lidar no diário com o cravo e a madeira, ao suspirar no instante derradeiro, segundo a Tradição nos braços de sua Sagrada Família, nos deixou um das maiores lições. A de que é possível a familiaridade com o Verbo encarnado ( que ele tinha continuamente sob o seu olhar protetor), e que é preciso apoiar Jesus na preparação para a grande tarefa da Redenção, tal como nós refazemos agora, silenciosamente, através de oração, obra e meditação, nesse Tempo Quaresmal, nesse nosso precioso Tempo Humano. Amemos!
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04 de março de 2004.

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