KFAR NAHUM

" Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." Evangelho segundo São João 6, 58-59

Cafarnaúm ficou conhecida como a Cidade de Jesus, por ter sido ali que ele desenvolveu parte de sua atividade messiânica. É nesta cidade que vivia Pedro e foi lá que Jesus fez o célebre convite aos humildes pescadores, para constituírem-se como seus apóstolos.
Kfar Nahum é seu nome semítico e significa povo ( kfar) de Nahum ( nome de pessoa). Quem foi Nahum, não se sabe, mas na idade média algumas fontes o identificaram com o profeta homônimo do Antigo Testamento.
Era em Cafarnaum que se localizava a sinagoga onde Jesus ensinou, curou enfermos e prometeu a Eucaristia ( João 6, 25-59).
Jesus escolheu este povoado como centro de seu ministério público na Galiléia, após haver deixado Nazaré, que era uma pequenina aldeia nas montanhas. Dizem os estudiosos que ele escolheu Cafarnaum, por ser o lugar ideal para aproximar-se de gente de coração humilde e receptivo, sem suscitar a reação das classes dirigentes, que se localizavam bem distante dali.
Podemos encontrar nos Evangelhos, referindo-se a Cafarnaum, citações à sinagoga (construída por um centurião romano) e às casas de André, Pedro, Mateus e Jairo. Tudo leva a crer que era um povoado habitado por hebreus ortodoxos, convivendo lado a lado com um grupo muito atuante de Judeus- Cristãos. Esse grupo, já no final do século I d.C., transformou a casa de Pedro em um lugar de reuniões religiosas ( domus- ecclesia), e posteriormente cristãos de origem gentílica uniram-se a eles.
Na época de Constantino, a domus-ecclesia tornou-se mais espaçosa, refinada, mas mantendo a mesma localização. No século V os Bizantinos a demoliram e construíram sobre a casa de São Pedro uma elegante igreja octogonal.
A cidade de Cafarnaum era então próspera e lugar de peregrinação, sendo que tanto a sinagoga, quanto a igreja octogonal, mantiveram-se em pé durante todo o período bizantino. Com a chegada do século VII ( período árabe ), o povoado inicia um rápido declínio e fontes literárias nos dão conta que no século XIII haviam ali, somente sete casas de pescadores, onde outrora Jesus havia realizado milagres e pregado intensamente.
Foi através de escavações arqueológicas, que tivemos acesso a um material riquíssimo, proveniente do nível da demolição da domus-ecclesia. Lá foram encontrados inúmeros fragmentos, que dão prova da atividade cristã que ocorria na Casa de São Pedro. Nos fragmentos descobertos aparecem entre outros, repetidamente, o nome de Jesus. Em alguns podemos ver destacados os aspectos litúrgicos: "Ó Senhor Jesus Cristo, ajuda…n e Izit". " Cristo, tem piedade". "Amém ". Também foram encontradas referências ao apóstolo Pedro, como num monograma escrito em língua latina, mas com caracteres gregos ( Petrus) ou ainda em outro que se pode ler: " O defensor de Roma ( é ) Pedro". O símbolo da Cruz e até uma barca com remos faz parte destes preciosos achados. Cristo, O Senhor, o Altíssimo, Deus, são palavras gravadas, que nos remetem a um ambiente essencialmente cristão.
Essa é Kafar Naum, Cidade de Jesus, restaurada por mãos hábeis sob orientação de pesquisadores de primeira linha. Cafarnaum que nos acena com a possibilidade, de em em pleno século XXI, passarmos pelo mesmo umbral que passava Jesus.
" Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa. Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía." . Evangelho segundo São Marcos 2, 1-2
Cidade do Rio de Janeiro, 12 de março de 2004
Fonte de pesquisa: Cafarnaum La Ciudad de Jesús – Stanislao Loffreda

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