Exemplos silenciados

 É por demais evidente que a imprensa procura deixar muitas vezes em silêncio os aspectos de transcendência cristã que se manifestam na vida de certas pessoas de relevo social.

Foi o que aconteceu com o falecimento do patrão da Fiat, Giovanni Agnelli, um magnata que pensou que tinha alma e que dela devia tratar. O Cardeal Severino Poletto, arcebispo de Turim afirmou que Agnelli se tinha confessado e comungado e se tinha preparado para morrer como um cristão. Foi ele que o atendeu espiritualmente nos últimos meses de vida e lhe administrou a Unção dos Enfermos pouco antes de morrer. A imprensa fez-se eco da sua figura como empresário e homem de negócios sem esquecer de o apelidar de «rei» da Itália, talvez mercê da sua enorme fortuna.

O que se passou com Giovanni Agnelli não foi uma conversão de última hora. Durante o velório e perante milhares de pessoas que quiseram prestar a sua última homenagem ao defunto, a viúva e o resto da família não tiveram respeitos humanos e com sinceridade rezaram o Terço. Além disso Agnelli era visto aos domingos na missa do lugar onde vivia e ia muitas vezes, à semana, rezar ao Santuário da Consolata.

 O Arcebispo de Turim fez questão de salientar que Agnelli quis, livre e conscientemente, uma morte cristã.

Outro caso não tão mediático, mas muito interessante é o do falecimento do jornalista Domenico del Rio, antigo correspondente de no Vaticano. Nos primeiros tempos do pontificado de João Paulo II criticou o “triunfalismo” das viagens do Papa, o que levou à sua exclusão, em 1985, do grupo de jornalistas que acompanham o Papa no próprio avião. Este episódio levantou muita celeuma, mas foi o início de um processo interior que o levou à compreensão do pontificado. De fato, já perto da morte um colega perguntou-lhe se desejava transmitir alguma mensagem a alguém. A sua resposta foi afirmativa. Sim: “Ao Papa. Quero que saiba que lhe agradeço, com humildade, a ajuda que me deu para acreditar, a mim que tinha tantas dúvidas e dificuldades. Esta ajuda recebia ao vê-lo rezar, quando fez-se servo de Deus e se vê que isto o leva a dar a Deus toda a glória”.

 

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