Mulher-Pessoa ou Mulher-objeto?

O mundo está a atravessar uma das muitas crises, que já não são novidade, mas porque estamos inseridas no tempo em que ocorre, nos chama mais a atenção.

 

E qual é essa crise? Pois está à vista – a vontade sistemática e contínua de degradar a mulher. Quem assim procede sabe que degradada a mulher, facilmente corrompe a sociedade e penso que há muitos que têm isso como objetivo. Com que fins? Confesso que não sei bem.

 

Um dos meios de degradar a mulher é a moda. Sabemos que a mulher sempre gostou de se embelezar e isso não é nenhum mal, pelo contrário. O modo como os especialistas do ramo estão a levar a cabo as suas ideias é que deve ser contestado pela Mulher que quer ser tratada como Pessoa e não como Objeto.

 

Qual é a tendência? Tecidos transparentes, pouco pano em altura e largura e, para surtir maior efeito, tecidos ajustáveis que mais parecem um traje de mergulhador de pesca submarina. Quanto ao tamanho, conta-se a história de uma menina que foi, com a mãe, comprar roupa em uma loja. A vendedora que as atendeu trazia um vestido muito curto e apertado. A criança na sua inocência e porque da boca dos pequeninos sai a verdade, disse-lhe candidamente – tu ainda usas a roupa de quando eras pequena? Não sei qual a reação da vendedora, mas se tivesse bom senso (o que parece que não tinha), até agradecia o espanto da menina.

 

Depois, usa-se agora, na rua, nos salões de festa, nos restaurantes, andar, não com vestidos, mas combinações, coisa que antigamente se usava por baixo da roupa. A combinação entrou em despromoção – penso que muitas jovens nem saberão o que é.

 

Também é vulgar andar na rua como se anda na praia. Ora se não se vai para a praia de sapatos verniz e salto alto e um vestido de bom corte e bom tecido, também não se devia andar com tão pouca roupa que parece que vão tomar banho de sol. E por falar nisso. Nem as muitas recomendações feitas pelos especialistas alertando para os perigos de exposição ao sol, faz desistir – o que cada uma quer é vestir o menos possível, em termos de tamanho, que não em termos de variedade. Há quem tenha mais de uma dúzia de trapinhos (recuso-me a chamar-lhe «traje de banho») para poder variar várias vezes ao dia. E como a mulher, deixou de querer ser pessoa, esses trapinhos são chamativos e berrantes. Pensam assim atrair as atenções, e conseguem, mas para as pessoas de bom senso, conseguem-no pela negativa, pela reprovação, pela crítica. A mulher passa assim a ser olhada como um objeto de prazer sensual, degradando-se e degradando quem assim para ela olha.

 

Façam um inquérito a rapazes e perguntem-lhe: escolherias para tua mulher, futura mãe dos teus filhos, uma mulher-pessoa, ou uma mulher-objeto? Talvez fiquem surpreendidos com o resultado. Ainda que por instinto olhem e acompanhem com esse tipo de moça, quando chega a hora de escolher procuram, se não são totalmente estúpidos, uma moça que seja e pareça ser séria. Sim, porque muitas das mulher-objeto são sérias, só que não parecem. O receio de parecer antiquada; o medo “ao que dirão”; a máxima de “todas fazem assim”, “e se eu contrasto com o ambiente até dou nas vistas”…leva-as a fazer aquilo que até sabem que lhes fica mal.  Ótimo quando uma moça dá nas vistas, porque, no meio do grupo das que só cobrem um décimo do corpo (!), ela veste um traje de banho decente, sim porque, felizmente ainda os há e ainda há moças que os preferem.

 

Mas não fiquemos só no vestir (ou despir). A mulher que quer ser tomada como pessoa, e não como objeto deve ter um comportamento coerente com esse desejo. As liberdades (libertinagens) a que agora se entregam as moças, fazem com que percam o sentido da sua dignidade e cheguem ao casamento como flores murchas e sem viço. Dizia-me uma jovem há tempos: então julga que quando vamos de férias, aquelas que namoram ficam em quartos separados dos namorados? Claro que não – partilham a mesma cama. Disse-mo com o ar mais cândido possível, como se as relações pré-matrimoniais fossem um dado adquirido e manter a virgindade uma coisa obsoleta. Assim vai o mundo em que nos é dado viver.

 

Para ajudar a todas estas situações temos a publicidade nas revistas, na TV, nas ruas, etc. Tudo convida a fazer da mulher um objeto de prazer, um lenço de usar e deitar fora…

 

Os agentes publicitários, que quando querem até são criativos, são pouco argutos neste campo quando usam a mulher (quase despedida) para anunciar um carro, um detergente, um serviço de louça, uma viagem, etc. Quem vê tais anúncios, infelizmente, produto do pecado original, olha mais para a figura feminina do que para o produto e a publicidade sai mais pobre.

 

Depois de tudo isto, só me resta um grito – é preciso dizer basta! Nós Mulheres-Pessoas, estamos fartas de ser usadas como Mulheres-Objetos.

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