Quem é o eleitor esperto?

Todo mundo parece concordar que a política do Brasil vai mal. A decepção parece geral. Todo dia os jornais e a TV noticiam novos abusos, corrupção, incompetências. Ontem o Diário, no Editorial falava da corrupção entre os guardas carcerários e advogados dos presos. Hoje os grandes jornais afirmam que nestes próximos dois meses o parlamento funcionará somente um dia por semana, e que esta legislatura foi a pior, a mais corrupta e a que menos trabalhou. Ontem informavam que o Tribunal de contas federal denunciou nada menos de 2.900 gestores públicos por má administração; entre eles estão 1.500 prefeitos, 5 governadores, 9 juizes. Todos, segundo a lei, deveriam ser punidos e se tornarem inelegíveis. Mas, tendo recorrido aos tribunais, podem continuar onde estão e serem reeleitos, enquanto não chegar a sentença definitiva de condenação, dadas pelos tribunais…  Que demoram dezenas de anos!
Coisa pior aconteceu com os deputados denunciados como corruptos pelas comissões de inquérito e os tribunais. Quase todos pertencem aos partidos que apóiam o governo. Sendo maioria, bloquearam a condenação dos colegas! É natural: Lobo não devora lobo!
Os “sábios” repetem que os eleitores, se querem que o Brasil melhore, não devem votar nestes partidos. Insistem que os eleitores devem se informar bem quem é o melhor e quem o pior.
Mas será que a maioria do povo tem tempo e capacidade para fazer este julgamento? Com esta caterva de partidos e de deputados soltos, como é possível distinguir os melhores dos piores? Eu mesmo, embora seja apaixonado de política, não saberia!
Nos países com somente dois partidos, ou duas agremiações de partidos, há só duas gritarias políticas: os da parte do governo gritam que tudo vai bem, os da oposição, que tudo vai mal. O povo, no final, vota segundo uma sensação subliminar: Percebe que a situação melhora e dá mais segurança? Vota na continuação do governo. Sente que piora? Vota na oposição. É simples!
Para obter este sentimento geral no povo, os deputados estão constrangidos a trabalhar dia e noite para uma melhora geral, quer dizer, para o bem comum: os do governo, fazendo o melhor; os da oposição, prometendo. É este o segredo do progresso dos Países do primeiro mundo.
Nos Países “democráticos” do terceiro mundo a situação piora pela confusão dos partidos, que impedem ao parlamento de reformar as leis. O governo então fica amarrado, o judiciário continua com leis inadequadas, a corrupção aumenta.  O povo não consegue indicar os culpados. A confusão dos partidos acaba só reformando a lei eleitoral: unifica os partidos, que assim formam um parlamento responsável, que reforma as leis. As leis reformadas fazem funcionar o governo, o judiciário, a polícia, o sistema carcerário, a administração pública.
Quando toda a máquina da condução política funciona, o País inteiro é posto a funcionar.
Então eu dou aos amigos este conselho: não votem no deputado amigo, nem nos partidos pequenos. Votem no partido do candidato a Presidente e a Governador que dá maior confiança de fazer a reforma da lei eleitoral; ele poderá fazê-la porque será apoiado por um partido forte, sem se sujeitar à chantagem dos anões. O partido forte será constrangido a trabalhar dia e noite para melhorar a situação, sabendo que somente assim poderá vencer as eleições seguintes. E a oposição será constrangida a apresentar propostas ainda melhores, se ela quiser ganhar.

Isto porque o que mais quer o político é conservar a cadeira política, sendo fonte de honra, poder e riqueza. O homem é feito assim, e não se muda. A esperteza dos eleitores consiste em fazer que o bem dos políticos coincida com o bem da maioria dos eleitores; que é o bem comum!


Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco – SP

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