A eutanásia é uma derrota social

Tem vindo a lume nos últimos tempos o caso da senhora inglesa que quer obter licença para que o marido a ajude a morrer, pois sofre de uma doença incurável e degenerativa. O caso é nitidamente um caso de suicídio assistido e as autoridades ainda não se pronunciaram. Oxalá que o não façam pois que iam abrir caminho à legalização da eutanásia.
 
A legalização da eutanásia, mesmo com todas as restrições, apresenta-se como uma receita mágica para solucionar o fim da vida numa sociedade moderna e envelhecida. Ora a solução está sim, no desenvolvimento dos cuidados paliativos de modo a proporcionar aos doentes terminais uns fins de vida dignos e com o mínimo de sofrimento. Isto exige competência técnica e capacidade de comunicação por parte do médico; carinho e espírito de sacrifício por parte dos parentes e amigos; aceitação e sentido da própria morte por parte do doente. Nada disto é fácil, mas é o caminho certo.
 
A eutanásia apresenta-se como a decisão livre do enfermo que age com autonomia racional e sem coacção, mas isto raramente ocorre na realidade. Um enfermo é uma pessoa dependente do médico e da família e muitas vezes as situações que se apresentam levam o doente a pensar que é uma carga e que a melhor saída para resolver o assunto é acabar com a vida de modo rápido e sem dor. Em muitos casos o doente chega a considerar o seu desejo de morrer como um dever.
 
Ora, face ao problema do fim da vida, a eutanásia é uma falsa saída técnica, uma solução que não convence aqueles que estão habituados a ajudar os outros a bem morrer, isto é, os partidários dos cuidados paliativos ou as congregações religiosas que atendem idosos. Se os pacientes estão bem atendidos, com competência e humanidade, a aplicação da eutanásia não se põe.
 
Uma sociedade evoluída é aquela que consegue evitar a solidão dos idosos, a que conta com médicos que sabem cuidar quando já não podem curar, a que oferece os cuidados adequados para dominar a dor, a que dedica atenção aos enfermos terminais sem lhes ocultar que estão próximos da morte.
 
Legalizar a eutanásia é passar aos que se dedicam aos doentes terminais um atestado de incompetência e é portanto uma derrota social.
 
Legalizar a eutanásia é um grande passo na direcção errada. É uma lei juridicamente perigosa e eticamente reprovável.

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