A Teologia da Libertação está mais atual do que nunca

Teologia da Libertação (Reprodução)

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO (REPRODUÇÃO)

O povo de Deus nasceu para ser livre e feliz. Vivamos esta verdade com fé e coragem

Em parceria com o Professor Waldir*

“A história humana foi escrita por uma mão branca, uma mão masculina, da classe social dominante. A perspectiva dos vencidos da história é diferente. Tentou-se apagar de sua memória a recordação de seus combates. Isto os priva de uma vontade histórica de rebelião” JJ Tamayo AcostaPUBLICIDADE 

A América Latina do período pós Concílio Vaticano II (1962-1965) e da Conferência Episcopal Latina Americana realizada em Medellín-Colômbia em 1968 assistiu ao nascimento de uma teologia essencialmente libertadora que trazia em sua essência, como condição sine qua non, para viver o Evangelho de Cristo, a opção preferencial pelos pobres e a defesa de seus direitos. Estamos nos referindo à Teologia da Libertação.

Incompreendida – e por esta razão condenada por muitos -, a Teologia da Libertação engloba vária correntes de pensamento, que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação das injustiças impostas aos mais pobres pelas condições econômicas, políticas e sociais determinadas pelo poder dominador.

Conquanto o movimento possua raízes anteriores, admite-se o ano de 1971 como seu marco inicial, dado por meio do livro “A Teologia da Libertação”, escrito pelo teólogo peruano Gustavo Gutierrez.

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Não tardou para que os escritos do padre peruano se tornassem conhecidos em toda América Latina e reunisse em torno de si teólogos de renome: Jon Sobrino, Leônida Proaño, Juan Luís Segundo, Leonardo Boff, Frei Betto, além de bispos e cardeais como Dom Pedro Casaldáliga, Dom Waldir Calheiros, Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Aloísio Lorscheider, entre outros.

A Teologia da Libertação trouxe para a Igreja um sopro novo de esperança, aproximando-a dos mais pobres e desprezados pelos regimes de governos, impostos pela força e total desrespeito aos homens e mulheres que gritavam por justiça e liberdade.

As opressões sofridas pelo povo pobre remontam aos primórdios da história humana. Na esfera da fé e dos registros bíblicos, tais como descritos no livro do Êxodo, observa-se, facilmente, as ações de Deus em prol da libertação de seu povo, das opressões impostas pelos poderosos faraós.

O Evangelho de Lucas em seu quarto capítulo apresenta o programa de toda atividade de Jesus quando ele aplica a si mesmo, a texto de Isaías 61, 1-2 que acabara de ler na Sinagoga de Nazaré, o qual anuncia a missão libertadora a ser realizada pelo Messias em favor dos pobres, assumindo-a no hoje concreto em que se encontra.

No Evangelho de Mateus, capítulo 23, Jesus critica os intelectuais e os líderes da classe dominante, que transformam o saber em poder, agindo hipocritamente e oprimindo o povo.

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Condena também os líderes religiosos que sustentam um sistema formalista e hipócrita que não respeita a liberdade dos filhos de Deus.

Nos dias atuais, nos deparamos com novas opressões impostas aos mais pobres e desvalidos por meio de reformas trabalhista e previdenciária, dentre outras. O povo já oprimido e prisioneiro de um sistema cruel e desumano está em vias de ser condenado à prisão imposta pela miséria a qual será submetido, caso nenhuma ação contrária e libertadora seja impetrada.

A Teologia da Libertação, que nos ensinou a caminhar de mãos dadas na defesa dos direitos de cada um e de todos sob a luz do Evangelho – assim como tantos outros movimentos surgidos com o mesmo objetivo -, sofreu e continua a sofrer, ataques pejorativos violentos e disseminadores do ódio.

Com qual objetivo esses ataques são praticados? O que esperam alcançar com isso? Quem são os responsáveis? Estas são questões que devemos responder com propriedade e sabedoria ante as afirmações dos “hipócritas e fariseus”.

PADRE TICÃO carta capital https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/a-teologia-da-libertacao-esta-mais-atual-do-que-nunca/

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