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Anencefalia - Minha filha sobreviveu 103 dias PDF Imprimir E-mail
Era Jesus

Ana Cecília Araújo Nunes Silva

Consagrada na Comunidade de Aliança Shalom

No Ano Jubilar, festa da encarnação do Verbo, de contemplação dos mistérios da vinda de Jesus ao mundo, ela foi concebida. Um casal amigo dizia: “É o bebê do Jubileu!”
Éramos uma família de três filhos: Ana Karine, Felipe José e Maria Clara, em março de 2000, Maria Tereza foi concebida. Grande foi nossa alegria por saber que teríamos mais um filho. Um exame de rotina solicitado no início do terceiro mês pela obstetra revelou que o bebê tinha uma má formação grave denominada de anencefalia (ausência de cérebro). A literatura médica diz que as crianças anencéfalas sobrevivem horas ou no máximo um a dois dias.

Ouvindo o médico falar o diagnóstico, eu repetia no meu coração: “Tu só sabes amar, Senhor; Tu me amas e eu te amo; Jesus e Maria, amo-vos! Salvai almas!” Imediatamente senti o mergulho na graça de Deus que me sustentava e me amparou até o fim. Meu único lamento foi: por que tão pouco tempo, por que somente nove meses? E nisso fui atendida! O Senhor nos deu a sua presença durante treze meses.

Em nenhum momento pensei em não tê-la comigo. Enquanto muitos médicos recomendam o aborto para esse caso, minha médica, Dra. Francy Emília Moura, honrou sua profissão, zelando pela vida. Acolheu-nos, fazendo tudo para que a gravidez fosse a mais tranqüila possível. E assim aconteceu!

Uma amiga e irmã, três dias depois que tomei conhecimento do problema, disse-me que estava fazendo a consagração a Nossa Senhora e que, todas as noites, ficava por volta de duas horas aos pés de Maria, venerando-a, amando-a. Numa dessas noites, ao adormecer, sonhou comigo: “Tive um sonho lindo com você, Aninha! (ela apenas sabia que eu estava grávida). Sabe aquele ícone em que Maria está com as mãos levantadas ao céu, e o menino Jesus está na sua barriga?! No sonho, Maria se apresentava como nesse ícone, ela vinha em sua direção, baixava as mãos, tirava o menino Jesus da barriga dela e colocava na sua! Foi lindo! Você leva Jesus na sua barriga”, disse ela.

Que consolo senti no meu coração nesse momento! Era Jesus! Minha dor lentamente se convertia em oferta de amor por todos os homens, pela minha família, pela minha comunidade, por todos que, doando suas vidas, me formaram na vocação Shalom, sendo exemplo de fé e esperança no Deus Vivo.

Desejo com você, que lê meu testemunho, contemplar os mistérios da vida de Jesus em Maria Tereza. Nós, servos inúteis, apenas fomos obedientes à Mãe Igreja, cumprindo nossa missão de família cristã, guardando, revelando e comunicando o amor como um reflexo real do amor de Deus pelos homens e de Cristo por sua Igreja.

Tereza deve nos emocionar, deve calar nossas dores, deve nos levar a lutar pela vida. Ela, com seu corpinho frágil, ao nascer chorou, chorou forte! Era um belo dia de domingo do Advento, o domingo leatare, o dia da alegria pelo menino que vem a nós: JESUS. Imediatamente foi batizada, seu caso foi considerado muito grave. Obrigada, Senhor, por a haveres criado! Só alegria brotava dentro do meu coração! Um mistério de amor!

Passamos 19 dias no hospital. Uma pequena membrana cobria a parte superior de sua cabeça, qualquer impureza seria fatal para ela. Tereza queria viver! Era alimentada por sonda (posteriormente mamou e tomou leite na colherzinha) e tomava remédios contra a infeção.

No vigésimo dia, levamos nossa filha para casa. Que surpresa, que alegria! A febre havia cedido, mas depois de uma semana retornou e com muita intensidade. Ajoelhei-me ao lado do berço e disse: “Minha filha, não vá agora, precisamos de você mais um pouco conosco”. E Maria Tereza viveu 103 dias.

Interessante que, no início de minha gravidez, tive um pequeno sangramento, e eu dizia com convicção: “Esta criança quer viver, ela vai viver”. Maria Tereza não desistiu de sua existência, sua vida exalava o perfume dos santos. Viveu a santa violência do Evangelho: Sim, Pai, é difícil, mas eu desejo, eu quero, eu vou!

Deus realizou algo tão profundo dentro dela que, apesar de sua limitação, sua vida anunciava e denunciava que a vida vale a pena ser vivida em sua plenitude, mesmo que as maiores e mais sinceras justificativas digam que não. Quem somos nós para arbitrar no sagrado dom da existência? Aborto! Palavra tão atroz, manipulada pelo egoísmo dos homens. Senhor... ensina-nos a amar e ser amor uns para os outros.

Maria Tereza foi amada, respeitada em sua alta dignidade de filha de Deus. Amei-a com todas as minhas forças, tão profundamente que não tenho palavras para expressar. Amei-a como ela era, não querendo que fosse outra pessoa, mas ela, o ser dela, a alma dela, o corpo dela. Graça! Tudo é graça!

Como um grande sinal de unidade do céu com a terra, Maria Tereza nasceu num dia 17, o dia da páscoa do nosso irmão Ronaldo e faleceu num dia 29, o dia da páscoa do nosso irmão Carlos. Eles são dois jovens da Comunidade de Vida Shalom que deram a vida pelo Evangelho, a fim de que o Shalom do Pai seja vivido no coração dos homens. A pequena Tereza é mais uma intercessora que nos foi dada para que possamos fielmente cumprir nossa missão.

Maria Tereza viveu o que disse Jesus: “Chegou a hora, Pai, de tu glorificares a tua filha”. E ela foi glorificada pelo Pai, a vitória do amor se fez presente dia-a-dia no seu ser. Em sua páscoa, seu corpinho já sem vida atraía o olhar de todos, atônitos diante de sua beleza. Era a glória de Deus nela. Uma amiga me confidenciou alguns dias após sua páscoa: “Ana, desculpe-me, mas quando cheguei ao velório e a olhei, pensei: Meu Deus! Colocaram uma boneca de porcelana no lugar da neném. Tal era a claridade de seu corpo”. Um mistério!

Deixemos o Evangelho saltar em nós, suas letras pularem em nosso coração: Vida! Vida! Ele é Vida! Um milagre! O Amor salva! Ó Abismo da riqueza, abismo da sabedoria de Deus, quão insondáveis são os teus caminhos e impenetráveis os teus pensamentos!

Tereza foi concebida na Quaresma, nasceu no Advento e foi para o Pai na Quaresma do ano seguinte. Um ano de bênçãos vivemos ao seu lado. Hoje somos uma família mais feliz, fomos tocamos pela dor e pelo amor.

Um dia me perguntava por que Jesus passou ainda quarenta dias com os seus, após sua ressurreição. E, olhando para minha filha, pude compreender que aqueles a quem Jesus amava precisavam experimentar concretamente o poder da ressurreição, a graça do amor gratuito, assim como eu experimentei nos dias em que Maria Tereza passou entre nós.

Sinceramente, agradeço a todos que rezaram por nós e foram presença da misericórdia do Deus Justo. Avancemos livremente no amor, pois só ele permanece!